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António Feijó · Modernismo

A armadura

portugués

Desenganos, traições, combates, soffrimentos,
Numa vida já longa accumulados, vão
—Como sobre um paúl continuos sedimentos,
Pouco a pouco envolvendo em cinza o coração.

E a cinza com o tempo attinge uma espessura,
Que nem os mais crueis desesperos abalam;
É como tenebrosa, impavida armadura
Ou coiraça de bronze em que os golpes resvalam.

Impermeavel da Inveja á peçonhenta bava,
Nella a Calumnia embota os seus dentes hervados;
Não ha braço que possa amolgá-la, nem clava
Que nesse duro arnez se não faça em bocados.

E no entanto, através d'essas rijas camadas,
Ou rompendo por entre as junctas da armadura,
Escorrem muita vez gotas ensanguentadas
Que o coração verteu d'alguma chaga obscura...

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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
António Feijó
Título
A armadura
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Libro o colección de origen
Sol de Inverno
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-armadura--antonio-feijo-cb8f0a
Cita recomendada
António Feijó, «A armadura», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-armadura--antonio-feijo-cb8f0a.html

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