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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

Á janella do Occidente

portugués

O mundo oscilla
(Luthero)

Os deuses ou são mortos ou caídos,
Quaes duros aldeões dormindo as sestas,
Ou andam pelos astros perseguidos
Chorando os velhos tempos das florestas,

Os reis ressonam nas devassas festas:
Já os fructos do Mal estão crescidos:
Ó Sol, ha muito que tu já nos crestas!
E aos nossos ais o Ceu não tem ouvidos!

Ha muito já que o Olympo está vazio,
E no seio d'um astro immenso e frio
É morto o Deus do Testamento Velho.

Apenas sobre o mundo eterno e afflicto,
Procura Fausto o x do infinito,
E Satan dorme em cima do Evangelho.

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Autor
António Gomes Leal
Título
Á janella do Occidente
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Libro o colección de origen
Claridades do sul
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-janella-do-occidente--antonio-gomes-leal-5f026b
Cita recomendada
António Gomes Leal, «Á janella do Occidente», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-janella-do-occidente--antonio-gomes-leal-5f026b.html

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