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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

A um corpo perfeito

portugués

Nenhum corpo mais lacteo e sem defeito
Mais roseo, esculptural e femenino,
Pode igualar-se ao seu, branco e divino
Immovel, nù, sobre o comprido leito!—

Nada te eguala! O ferro do assassino
Podia, hoje, matal-a, que o meu peito
Seria o esquife embalsamado e fino
D'aquelle corpo sem rival, perfeito.

Por isso é muito altiva e apetecida;—
E o goso sensual de a vêr vencida
Ha de ser forte, extranho e singular...

Como o das cousas dignas de castigo;
—Ou d'um amante sacerdote antigo,
Derrubando uma deusa d'um altar.

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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
A um corpo perfeito
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Libro o colección de origen
Claridades do sul
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-um-corpo-perfeito--antonio-gomes-leal-05266f
Cita recomendada
António Gomes Leal, «A um corpo perfeito», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-um-corpo-perfeito--antonio-gomes-leal-05266f.html

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