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Almeida Garrett · Romanticismo

A uma feia com linda voz

portugués

Quando Orpheu pela espôsa suspirada
Desceu co’a maga lyra ao reino escuro,
Incantado Plutão ferrenho e duro
De júbilo exultou na atroz morada.

—‘Furias,’ clamou ‘e turba condemnada,
Quero tudo a cantar; do mais não curo.
Ralhe Jove ou não ralhe, eu voto e juro
Que não heide ouvir mais ésta assoada.’

Eis impunhando o açoite crepitante
Rege Megera o condemnado côro,
Cantando em doce voz pura e tocante.

Ah! quando te oiço, ó N—y, o som canoro,
E arrebatado attento em teu semblante,
Um milagre d’Orpheu no Averno adoro.

Lisboa—1816.

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Expediente

Autor
Almeida Garrett
Título
A uma feia com linda voz
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Libro o colección de origen
Fábulas—folhas cahidas
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-uma-feia-com-linda-voz--almeida-garrett-ea5234
Cita recomendada
Almeida Garrett, «A uma feia com linda voz», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-uma-feia-com-linda-voz--almeida-garrett-ea5234.html

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