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Camilo Pessanha · Vanguardias / s. XX

Ao longe os barcos de flores

portugués

Só, incessante, um som de flauta chora,
Viuva, gracil, na escuridão tranquilla,
—Perdida voz que de entre as maís se exila,
—Festões de som dissimulando a hora.

Na orgia, ao longe, que em clarões scintilla
E os labios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viuva, gracil, na escuridão tranquilla.

E a orchestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detem. Só modulada trila
A flauta flebil... Quem ha-de remil-a?
Quem sabe a dôr que sem razão deplora?

Só, incessante, um som de flauta chora...

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Dónde vive
La Biblioteca

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Autor
Camilo Pessanha
Título
Ao longe os barcos de flores
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Libro o colección de origen
Clepsydra
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-ao-longe-os-barcos-de-flores--camilo-pessanha-964be5
Cita recomendada
Camilo Pessanha, «Ao longe os barcos de flores», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-ao-longe-os-barcos-de-flores--camilo-pessanha-964be5.html

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