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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

As cathedraes

portugués

Como vos amo ver ó cathedraes sosinhas,
A recortar o azul das noutes constelladas!
Erguidos corucheus, mysticas andorinhas,
—Ó grandes cathedraes do sol ensanguentadas!

Como vos amo ver, pombas alvoroçadas!
Ogivas ideaes, anjos de puras linhas,
E ó criptas sem luz, aonde embalsamadas
Dormem de mãos em cruz as santas e as rainhas!

Em vão olhaes o Ceu sagradas epopeias!
Flores de renda e luz, d'incenso e aromas cheias,
Aves celestiaes banhadas da manhã!

Em vão santos e reis, ó monges dos desertos!
Em vão, em vão resais, sobre os livros abertos,
—O Ceu por que chorais é uma ficção christã!

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
As cathedraes
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Libro o colección de origen
Claridades do sul
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-as-cathedraes--antonio-gomes-leal-691adc
Cita recomendada
António Gomes Leal, «As cathedraes», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-as-cathedraes--antonio-gomes-leal-691adc.html

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