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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

Cain

portugués

Cain no mundo errante, desterrado,
Fugindo á sua dôr cruenta e dura,
Morria sobre um valle, abandonado,
No sollo primitivo da Escriptura.—

O remorso—esse mal que não tem cura—
Não abatia o peito allucinado
Do que nasceu no seio do Peccado
Que herdou depois a géração futura.

Do Ceu sem mendigar luz nem consollo
Conservava inda erguido e altivo o collo;—
Mas nessa hora fatal que a todos vem...

Cain velho rebelde,—e atheu primeiro—
Nosso pae, nosso irmão, como um guerreiro.
Bradou, caindo—Ó Terra! ó Minha Mãe!

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
Cain
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Libro o colección de origen
Claridades do sul
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-cain--antonio-gomes-leal-a1afd2
Cita recomendada
António Gomes Leal, «Cain», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-cain--antonio-gomes-leal-a1afd2.html

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