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João de Deus · Modernismo

Espera!

portugués

Uivaria de amor a féra bruta
Que pela grenha te sentisse a mão!
E eu não sou féra, pomba! Espera! Escuta!
Eu tenho coração!

Não é mais preto o ébano que as tranças
Que adornam o teu collo seductor!
Ai não me fujas, pomba! que me canças!
Não fujas, meu amor!

A mim nasceu-me o sol, rompeu-me o dia
Da noite escura d'olhos taes, mulher!
Não me apagues a luz que me alumia
Senão quando eu morrer!

Eu não te peço a ti que as mãos de neve,
Os dedos afusados d'essas mãos,
Me toquem estas minhas nem de leve...
Seriam rogos vãos!

Não te peço que os labios nacarados
Me deixem esses dentes alvejar,
Trocando, n'um sorriso, os meus cuidados
Em extasis sem par!

Mas uivando de amor a bruta féra
Que pela grenha te sentisse a mão,
Eu não sou féra, pomba! escuta, espera!
Eu tenho coração!

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Expediente

Autor
João de Deus
Título
Espera!
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Libro o colección de origen
Ramo de Flores
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-espera--joao-de-deus-eb5823
Cita recomendada
João de Deus, «Espera!», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-espera--joao-de-deus-eb5823.html

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