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Almeida Garrett · Romanticismo

Gôso e dor

portugués

Se estou contente, querida,
Com ésta immensa ternura
De que me enche o teu amor?
—Não. Ai! não; falta-me a vida,
Succumbe-me a alma á ventura:
O excesso do gôso é dor.

Doe-me alma, sim; e a tristeza
Vaga, inerte e sem motivo,
No coração me poisou.
Absorto em tua belleza,
Não sei se morro ou se vivo,
Porque a vida me parou.

É que não ha ser bastante
Para este gosar sem fim
Que me inunda o coração.
Tremo d’elle, e delirante
Sinto que se exhaure em mim
Ou a vida—ou a razão.

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Expediente

Autor
Almeida Garrett
Título
Gôso e dor
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Libro o colección de origen
Fábulas—folhas cahidas
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-goso-e-dor--almeida-garrett-265d96
Cita recomendada
Almeida Garrett, «Gôso e dor», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-goso-e-dor--almeida-garrett-265d96.html

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