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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

Luthero

portugués

Ah, és tu diabo?...
(Lenda mouacal)

Luthero, o frade austero e macilento,
Encontrou a Satan dormindo um dia,
N'uma rua d'Erfurt, á ventania,
Envelhecido, calvo e vinolento.

Dorme! gritou-lhe o frade... a teu contento,
Guloso Pae da Indigistão, da Orgia!
Renunciaste as lições de theologia,
Ó velho corvo mau do Firmamento?!

O mundo como tu é calvo e velho;
A Egreja é o lupanar do Evangelho;
E tu ó ébrio, gulotão, descanças!?...

Satan, olhando o azul, disse:—As estrellas
Vão pelo Ceu tão baças, amarellas,
Deus já deixou enferrujar as lanças!

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
Luthero
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Libro o colección de origen
Claridades do sul
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-luthero--antonio-gomes-leal-f88d75
Cita recomendada
António Gomes Leal, «Luthero», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-luthero--antonio-gomes-leal-f88d75.html

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