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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

Os deuses mortos

portugués

(Á memoria de J. M. Fernandes)

Parce diis

Eu nunca os insultei!... Se estão emfim vencidos
Silencio! Cubra luto a natureza inteira!
Nuvens dillacerae os pallidos vestidos!
Verte gotas de sangue, ó flor da larangeira!

Onde estaes, onde estaes!—Extactica palmeira,
Viste acaso passar os grandes foragidos?
Onde estão Zeus Jesus?! Velhos cedros erguidos!
Nuvens, ventos e mar, guardae sua poeira!

Deixae-os descansar!—Luzentes mariposas,
Cuidado! não piqueis o coração das rosas!
Lavrador cava a Terra, a Terra, devagar!...

Silencio! Orpheu, Jesus, dormem no seu mysterio!
—A Natureza é toda um vasto cemiterio!
Eu nunca os insultei!—Deixae-os repousar!

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Autor
António Gomes Leal
Título
Os deuses mortos
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Libro o colección de origen
Claridades do sul
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-os-deuses-mortos--antonio-gomes-leal-eb1e60
Cita recomendada
António Gomes Leal, «Os deuses mortos», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-os-deuses-mortos--antonio-gomes-leal-eb1e60.html

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