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Maria Adelaide Fernandes Prata · Modernismo

Sexta-feira Santa

portugués

Qual o pio Christão que n'este dia

Ao Golgotha não leva o pensamento!

Para junto da cruz ajoelhar

Onde o martyr soffreu atroz tormento!

Legislador divino! Quem mais houve

Que lei tão justa, egual ao mundo desse?!

Mas eis do mundo a pagal n'essa cruz

Eil-o crucificado! Alli fenece...

E em antes d'expirar ao Padre eleva

Semi-abertos olhos e piedade

Com instancia lhe pede ferveroso

Para a fragil, pequena humanidade!

Vede, quanto elle é grande ante o Senhor!

Aos homens Deus mostrou sua grandeza,

Mostrou-lhes que era a luz; mal que expirou

De trevas cobriu logo a redondeza!

De refulgir o sol então deixou,

Por que outro de mais luz se extinguia,

Toda a terra oscillou; do templo o véu

Na Jerusalém impia se partiu!..

Com medonho estampido dos sepulchros

Resurgiram os mortos appar'cendo

Aqui, alli aos vivos que aterrados

Pedem a Deus piedade já tremendo;

Não mofam já de Christo; elles se curvam

Ante aquelle que á pouco apedrejaram;

Depois as gerações, uma, após outra

Sempre á cruz veneranda ajoelharam.

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Por su autor
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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
Maria Adelaide Fernandes Prata
Título
Sexta-feira Santa
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Libro o colección de origen
A Esperança Vol. I
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-sexta-feira-santa--maria-adelaide-fernandes-pra-ff7360
Cita recomendada
Maria Adelaide Fernandes Prata, «Sexta-feira Santa», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-sexta-feira-santa--maria-adelaide-fernandes-pra-ff7360.html

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