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Almeida Garrett · Romanticismo

‘Virtude sem prazer não é virtude’

portugués

Deixa, eu t’o rogo, deixa, Annalia minha,
Duros preceitos de moral sombria;
Fingiu-os a traidora hypocrisia
Que detrás d’elles, a zombar, se aninha.

Leis de tartufos, invenção danninha
Que protege a impostura e o vício cria,
O egoismo as dictou, funesta harpia
Que as horas do gosar nos amesquinha.

A mão da natureza, a mão sublime
O gran’sêllo forjou na eterna incude
Com que o signal de falsas lhes imprime.

O coração m’o diz, que não illude:
Crime sem dor, Annalia, não é crime,
‘Virtude sem prazer não é virtude.’

Coimbra—1818.

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Expediente

Autor
Almeida Garrett
Título
‘Virtude sem prazer não é virtude’
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Libro o colección de origen
Fábulas—folhas cahidas
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-virtude-sem-prazer-nao-e-virtude--almeida-garrett-5e798e
Cita recomendada
Almeida Garrett, «‘Virtude sem prazer não é virtude’», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-virtude-sem-prazer-nao-e-virtude--almeida-garrett-5e798e.html

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