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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

A lanterna

portugués

O sabio antigo andou pelas ruas d'Athenas,
Com a lanterna accesa, errante, á luz do dia,
Buscando o varão forte e justo da Utopia,
Privado de paixões e d'emoções terrenas.

Eu tambem que aborreço as cousas vãs, pequenas
E que mais alto puz a sã Philosophia,
Ha muito busco em vão—ha muito, quem diria!
O mais cruel ideal das concepções serenas.

Tenho buscado em balde, e em vão por todo o mundo;
Esconde-se o ideal no sitio mais profundo,
No mar, no inferno, em tudo, aonde existe a dôr!...

De sorte que hoje emfim, descrente, resignado,
Concentrei-me em mim só, n'um tedio indignado,
E apaguei a lanterna—É só um sonho o Amor!

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
A lanterna
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Libro o colección de origen
Claridades do sul
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-lanterna--antonio-gomes-leal-1795fb
Cita recomendada
António Gomes Leal, «A lanterna», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-lanterna--antonio-gomes-leal-1795fb.html

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