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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

A Lyra de Nero

portugués

Nos seus jardins pagãos, entre archotes humanos,
Na lyra de marfim sobre as cordas douradas,
Nero vinha cantar ás noutes estrelladas,
Elegias d'amor e canticos thebanos.

Essa lyra do Mal que ouviram os romanos,
Que cantou entre o fogo, as casas abrazadas,
E os lutos, os truões, as ceias depravadas,
Que mysterios não viu, medonhos e profanos!

E, no emtanto, apesar da sua historia triste,
Se os tempos tem corrido, a Lyra ainda existe
Do devasso real, do lyrico histrião...

Seu canto inda nos prende e ouvimol-o sem susto,
E, ó Terror! ó Terror! eu que amo o Forte e o Justo,
—Ouço-o ás vezes tambem, dentro do coração!

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Autor
António Gomes Leal
Título
A Lyra de Nero
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Libro o colección de origen
Claridades do sul
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-lyra-de-nero--antonio-gomes-leal-838c36
Cita recomendada
António Gomes Leal, «A Lyra de Nero», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-lyra-de-nero--antonio-gomes-leal-838c36.html

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