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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

A Selvagem

portugués

Ás vezes, como os grandes phantasistas,
Sinto o desejo intenso das viagens...
E ir sosinho habitar entre os selvagens,
Como n'um ermo os asperos trapistas.

As grandes, vastas, limpidas paysagens,
Que sabem vêr os immortaes artistas...
Teriam novos tons, novas imagens,
Longe do mondo avaro e as suas vistas!

Com uma virgem—flor d'essas montanhas—
Entre os mil sons das arvores extranhas,
Dos coqueiros, bambus... fôra feliz!...

Dormiria em seus braços nus, lustrosos;—
E ouviria, entre uns beijos voluptuosos,
Tintinar-lhe as argollas do nariz!

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
A Selvagem
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Libro o colección de origen
Claridades do sul
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-selvagem--antonio-gomes-leal-4bff44
Cita recomendada
António Gomes Leal, «A Selvagem», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-selvagem--antonio-gomes-leal-4bff44.html

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