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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

O cannibal

portugués

(A C. Verde)

Tenho, defronte, uma visinha loura
Cuja carne alva, fina e setinosa,
Faz lembrar, quando á tarde o sol descóra,
A côr humana pallida da rosa.—

Não é fragil, nem debil, vaporosa,
Como as virgens mortaes que a luz não doura,
Antes é forte, esbelta e a voz sonora,
—Tranquilla e altivamente magestosa!

Nasceu formada assim para os amores;
E o modo com que rega as suas flores,
Na varanda, a sorrir, não tem rival!...

Ao vel-a os D. Juans baixam a falla!...
—Mas quanto a mim... quisera devoral-a...
Com a fome imbecil d'um cannibal!

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
O cannibal
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Libro o colección de origen
Claridades do sul
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-o-cannibal--antonio-gomes-leal-ce3a47
Cita recomendada
António Gomes Leal, «O cannibal», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-o-cannibal--antonio-gomes-leal-ce3a47.html

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