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António Gomes Leal · Vanguardias / s. XX

O publicano

portugués

Um graõ doutor da Lei dizia ao publicano,
Junto ao atrio do templo, em tempos da Judea,
Tambem tu vens orar, publicano sereia,
A tua casa ardeu, ou deu na vinha o damno?

Jejuas tu agora e resas todo o anno,
Tu que levas o pobre e o orphão á cadeia,
Que tiras á viuvez o pão, o leito, e a teia,
Tu que és avaro e vil, pagão como um Romano?!

Que não resas como eu, que nunca vi desfeito
Dos compridos jejuns, nem macerar o peito;
E que hospedas Satan, como o antigo Saul!

Não vês como estou sempre erguendo ao Ceu os braços?
—O publicano então, disse, olhando os espaços:
«Tambem os poços são voltados para o Azul!»

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Expediente

Autor
António Gomes Leal
Título
O publicano
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Libro o colección de origen
Claridades do sul
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-o-publicano--antonio-gomes-leal-a0ef46
Cita recomendada
António Gomes Leal, «O publicano», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-o-publicano--antonio-gomes-leal-a0ef46.html

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